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Sunday, November 26, 2006

papagaio



Taxonomia e morfologia

Os papagaios pertencem à ordem Psittaciformes, família Psittacidae, gênero Amazona. Existem aproximadamente 30 espécies de papagaios, que ocorrem naturalmente da América do Sul à América do Norte (México). A cor predominante da plumagem é verde. Os papagaios têm o corpo compacto com pescoço, asas e pernas curtas. A cauda é curta, quando comparada a de seus primos periquitos e araras.

O bico é recurvado e forte, capaz de quebrar sementes. A língua é grossa, sensível, cheia de papilas gustativas (portanto o sentido do paladar é desenvolvido) e manobra facilmente o alimento na boca. Os papagaios têm papo, onde o alimento é armazenado durante horas. A visão é desenvolvida. São zigodáctilos, ou seja, têm dois dedos para frente e dois para trás nas patas, o que facilita a manipulação do alimento. Observe que os papagaios prendem o alimento com as patas e abocanham pedaços do alimento.
Identificação do Sexo e Idade

Os papagaios de forma geral são monomórficos, ou seja, macho e fêmeas têm a mesma aparência, não sendo possível determinar o sexo apenas pela visualização externa. É preciso realizar exames de DNA, que requer apenas uma gota de sangue. Outra maneira de saber o sexo da ave é por laparoscopia, que é um procedimento cirúrgico, que necessita anestesia e a introdução de um endoscópio no abdômen para visualizar os testículos ou o ovário. A sexagem dos papagaios de estimação deve ser solicitada a um veterinário. As aves jovens (com até oito meses mais ou menos) têm a íris dos olhos marrom escuro, enquanto que nos adultos a cor dos olhos é mais clara. Fora isso, é difícil determinar a idade dos papagaios. A média de vida é de 20 anos, porém já foi registrada longevidade de 80 anos.

Vocalização

Os papagaios possuem voz forte. São capazes de imitar a voz humana, sons de outros pássaros e animais de estimação e mesmo som de objetos. O papagaio americano considerado melhor falador é o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), também o mais comum nas residências brasileiras. Podem ser treinados desde filhotes a repetir palavras, frases ou mesmo cantar.
O aprendizado pode levar vários anos e a habilidade de "falar" depende da capacidade individual da ave. Percebe-se que poucos papagaios acabam tornando-se bons imitadores. Os papagaios que não aprendem a falar acabam, muitas vezes, tornando-se indesejados pelos seus donos
Hábitos

Na natureza vivem em bandos, mas podem separar-se em casais na época reprodutiva. O papagaio sacode vigorosamente a plumagem como sinal de alerta ou como forma de cumprimento a uma pessoa conhecida que se aproxima. Os papagaios normalmente são canhotos. Gostam de banhar-se na chuva, às vezes pendurados de cabeça para baixo. Dormem empoleirados. Gostam de brincar com objetos. São aves inteligentes que necessitam de muita atividade, caso contrário se entendiam e podem apresentar comportamentos anormais.
Alimentação na natureza

A dieta dos papagaios na natureza é variada, composta por frutos, sementes, brotos, flores e eventualmente insetos que estão nas frutas. As sementes de palmito são utilizadas como alimento na Mata Atlântica. Na natureza alimentam-se principalmente nas primeiras horas do dia e no final da tarde.
Alimentação em Cativeiro

O que os papagaios comem em cativeiro? Essa é uma dúvida comum à maioria das pessoas que mantêm aves em residências. A alimentação a ser fornecida deve ser balanceada nutricionalmente para permitir uma vida saudável e longa à ave . O termo dieta aqui utilizado refere-se à soma de alimentos e nutrientes que formam a alimentação de uma ave. Portanto, não tem nada a haver com aquele regime alimentar elaborado para o emagrecimento ("fazer uma dieta"). É muito comum encontrar pessoas que fornecem às suas aves café, pão, fubá, sementes de girassol, doces ou somente frutas. Não é preciso ser um especialista para saber que essa alimentação é incorreta e trará sérios prejuízos à saúde da pobre ave de estimação.Infelizmente, grande parte das aves tratada em clínicas veterinária apresenta alguma patologia decorrente da desnutrição. Podemos citar as doenças respiratórias e renais decorrentes da hipovitaminose-A (deficiência de vitamina A), o raquitismo (em decorrência da falta de cálcio e vitamina D), mau empenamento, emagrecimento, obesidade, distúrbios e tumores hepáticos, distocia, infecções, parasitismo e tantos outros problemas diretos ou indiretos. Sabe-se que sementes de girassol e amendoim são normalmente contaminadas com aflatoxinas, ou seja, toxinas produzidas por fungos que crescem naturalmente nas sementes. Em longo prazo, as aflatoxinas podem causar degeneração e mesmo tumores no fígado. Além disso, essas sementes são ricas em gordura, que podem levar ao aparecimento de aterosclerose, ou seja, a deposição de colesterol nos vasos do coração. Outros alimentos usualmente fornecidos aos papagaios são pobres em nutrientes. É o caso das frutas, que têm algumas vitaminas, mas são pobres em proteínas, gorduras e outros nutrientes essenciais. O pão e fubá são alimentos ricos em carboidratos (energéticos), mas pobres em nutrientes essências para o crescimento da ave. Filhotes criados com fubá não crescem satisfatoriamente e podem morrer logo nas primeiras semanas de vida. Então, o que devemos fornecer para os papagaios em cativeiro? Na natureza, a alimentação dessas aves é diversificada e balanceada naturalmente. No cativeiro é muito difícil isso acontecer, pois não dispomos dos mesmos alimentos que as aves encontram na natureza. Outro problema é que no cativeiro as aves acabam tomando gosto por alguns alimentos e rejeitam outros de boa qualidade . Portanto, mesmo que ofereçamos alimentos saudáveis, os papagaios cativos tendem a rejeitar esses alimentos. Outras dificuldades são elaborar cardápios balanceados sem a ajuda de um nutricionista e também a mão-de-obra necessária para preparar alimentos frescos e nutritivos duas vezes ao dia, todos os dias da semana. Assim, se quisermos manter aves sadias, temos que oferecer a elas uma variedade de alimentos frescos e em quantidades corretas. Esses itens incluem legumes semicozidos (feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico), milho, verduras, brotos, frutas (tomate, mamão, maçã, frutas cítricas, frutas de época), cereais, proteína de soja, óleos vegetais, sementes de boa qualidade e em pequena quantidade (girassol, castanhas), proteína animal (queijo magro, ovo cozido), aminoácidos essências, cálcio, vitaminas, minerais e probióticos. Adaptar as aves a esse cardápio variado não é uma tarefa fácil e requer a ajuda de um veterinário ou um zootecnista especialista em nutrição animal. Para resolver esse problema, surgiram as rações balanceadas para psitacídeos, que vêm prontas para uso. A ração peletizada ou extrusada pode ser comparada em seu formato e facilidade de uso às rações para cães, gatos e outros animais domésticos . A ração de papagaios é palatável e contém todos os nutrientes que a ave necessita em doses corretas. Não devemos confundir a ração balanceada com as misturas de sementes, que permite à ave separar os itens alimentares que mais gosta dos que não gosta, tal qual uma criança que separa no seu prato somente o alimento que mais lhe agrada.

As dietas balanceadas para papagaios (tipo ração) são fabricadas no Brasil e podem ser encontradas nas lojas especializadas. Uma boa opção é a ração extr

usada Alcon Club Psita Stick, de alta digestibilidade e formulada para atender às necessidades nutricionais de papagaios, araras e outros psitacídeos de médio e grande porte. A ração balanceada reduz o desperdício de alimento, é de uso prático e principalmente, torna as aves bem nutridas e saudáveis. A ração balanceada pode ser a única fonte de alimentação, mas frutas, verduras, sementes e castanhas podem ser oferecidas eventualmente como petiscos eventuais.
Os filhotes de papagaios necessitam de alimentos próprios: ração farelada de alta digestibilidade rica em proteína, aminoácidos essências, vitaminas, cálcio, minerais, probiótico e muitos outros nutrientes . A papinha deve ser fornecida fresca e em temperatura morna.
Viveiros e Gaiolas

O tamanho do viveiro depende de como se pretende manter seu papagaio em cativeiro. Se a ave for confinada, o viveiro deverá ser grande o suficiente para permitir o vôo e uma vida confortável. As dimensões podem variar, sendo o mínimo algo em torno de 1,6 m de largura x 2,5 m de altura x 3 m de comprimento. Gaiolas suspensas podem ser menores: no mínimo 80 cm de largura, 80 cm de altura e 1,80 m de comprimento. Os viveiros e gaiolas suspensas devem ter uma área coberta contra chuva e sol e para a proteção da caixa-ninho. Se a ave é mantida solta em jardins ou em casa e é presa somente à noite, a gaiola pode ser pequena, como as que são vendidas em pet shop. Porém, a gaiola deve ser grande o suficiente para permitir ao papagaio abrir a asa e movimentar-se com facilidade. A tela usada na confecção das gaiolas não deve estar contaminada com material tóxico como zinco ou chumbo. Se a tela for pintada, deve ser usada tinta que não tenha esses metais pesados em sua composição.
Não mantenha aves amarradas ou presas por corrente. Este é um procedimento desumano e que pode trazer danos à saúde da ave. Não mantenha papagaios permanentemente fechados em gaiolas, pois são aves inteligentes e precisam de espaço e atividade. A gaiola é indicada apenas para o período noturno ou para poucas horas de confinamento.

Pode-se manter papagaios em poleiros tipo T. Esse poleiro é onde a ave permanece solta e em descanso, podendo observar e interagir com as pessoas à sua volta. O poleiro em forma de T pode ser confeccionado pelo próprio proprietário, compreendendo uma estrutura de suporte e um poleiro.

Os poleiros das gaiolas e dos viveiros devem ser de madeira, cilíndricos e de espessura que permita à ave se agarrar firmemente. Recomenda-se galhos de árvores de diâmetro adequado às patas da ave, pois permite à ave exercitar-se com poleiro de diferentes diâmetros. Evite poleiros finos ou grossos, que podem causar problemas às patas e articulações. Poleiros ásperos, com espinhos ou de árvores tóxicas devem ser evitados.
Aves mantidas em casais devem ter acesso a um ninho tipo caixa. Internamente é utilizado cepilho de madeira não tóxica como substrato para os ovos e filhotes.
Comedouros e Bebedouros

Comedouros e bebedouros devem ser de material resistente, de fácil higienização e não tóxico, como vasilhas de aço inoxidável, alumínio ou vidro resistente. Devem ser lavados e escovados diariamente e desinfetados freqüentemente. Os comedouros e bebedouros não devem ficam embaixo dos poleiros, evitando que as aves defequem sobre eles.
Brinquedos e divertimento

Existem brinquedos para psitacídeos em alguns pet shops, que podem ser sinos, correntes, espelhos, brinquedos de corda, de borracha resistente e outros materiais. Os brinquedos devem ser de metal atóxico, sem pontas, superfícies cortantes, de tamanho que não possa ser ingerido e sem componentes que possam ser quebrados e ingeridos (por exemplo, plástico mole). Os brinquedos ou objetos de distração podem ser oferecidos em dias alternados para evitar o desinteresse pelo mesmo brinquedo. Podem ser feitos de correntes, argolas e madeira.
Verduras, brotos, ramos de árvores frutíferas (amoreira, por exemplo), maçã, frutas da época, milho verde na espiga e outros alimentos devem ser fornecidos constantemente para manter o papagaio em atividade e prevenir o tédio. Esses alimentos ou brinquedos não devem ser de plantas tóxicas e não devem ter pesticidas.

Atenção do dono

Como os papagaios são aves inteligentes, precisam da atenção do dono e de novidades, que as mantenham ativas e interessadas. O tédio e a falta de atividade provocam o aparecimento de comportamentais estranhos, tais como o arrancamento de penas, automutilação, agressividade, gritos excessivos e depressão. Permita à sua ave algumas horas de atenção. Não é bom para a saúde psicológica de uma ave solitária (sem um parceiro) mantê-la sem a atenção humana durante o dia. Lembre-se que para sua ave você e sua família são os representantes do seu "bando" e solidão é algo que ela não conheceria, se estivesse nas florestas.
Banhos

Os papagaios gostam de banhar-se. O banho pode ser numa vasilha rasa (para que a ave não se afogue) ou pode-se borrifar água sobre ela com um borrifador ou jato fino de mangueira. Papagaios que não estão acostumados ao banho podem não gostar da sensação nas primeiras vezes. Dê banhos em dias quentes e deixe a ave secar por conta própria. Não a encharque, pois poderá apresentar hipotermia (temperatura corpórea baixa). A própria chuva poderá ser uma boa oportunidade para um bom banho. As aves precisam de banhos de sol diariamente no período da manhã (até às 10h) ou à tarde (após as 16h), conforme a região do país. O importante é que seu papagaio não fique exposto ao sol quente e que haja a possibilidade dele ir para a sombra quando quiser.


Sono

As aves necessitam de 10 a 12 horas de sono diários em local escuro, sem barulho e sem movimento. Se não houver um aposento assim na casa, coloque a gaiola coberta com tecido escuro em um local sem a presença humana, televisão ligada ou outra perturbação. Apague a luz do local e deixe a ave descansar. Não feche completamente a gaiola de modo a não permitir ventilação. Evite lugares úmidos ou com corrente de vento. A falta de sono leva a ave ao estresse, podendo apresentar doenças e comportamentos
Corte das Penas

É recomendável cortar as penas de uma das asas para garantir que a ave não fuja ou se machuque no interior da residência. O propósito de cortar as penas é evitar que seu papagaio consiga voar longas distâncias e não incapacitá-lo completamente ao vôo. Uma ave que tenha as penas das asas cortadas incorretamente poderá ferir-se gravemente ao despencar de poleiros altos. A idéia é que a ave possa aterrisar suavemente ao chão. Portanto, o corte das penas deve ser feito por alguém que saiba a técnica correta. Se o proprietário tiver a intenção de sair com a ave à rua, deve ter em mente os riscos de acidente. Pode acontecer atropelamento ou inadvertidamente um ataque de cães. Esses riscos são ainda maiores em aves sem as asas aparadas, que podem voar para dentro de outras residências. Lembre-se também que ter animal silvestre sem autorização do IBAMA é ilegal, estando o indivíduo sujeito às penalidades da legislação ambiental.
Corta-se com tesoura afiada as penas remiges primárias de uma das asas. São aproximadamente 10 penas a serem cortadas. Pode-se deixar duas penas distais (na ponta da asa) por razões estéticas e para proteger a asa contra atrito na gaiola e traumas. Após o corte é preciso avaliar a capacidade de vôo do papagaio num ambiente restrito, de modo a assegurar-se que a ave é incapaz de realizar vôos longos. Penas em crescimento estão envoltas numa bainha e por terem farta irrigação sangüínea, sangram muito ao corte. Portanto, não é recomendado o corte dessas penas em crescimento. Um novo corte das penas deve ser feito de tempos em tempos, conforme a necessidade. Papagaios que são mantidos em viveiros ou gaiolões não necessitam de corte das penas.
Aparação das Unhas
O papagaio pode ficar com as unhas afiadas e longas, sendo desconfortável para o proprietário tê-lo no braço ou ombro. O corte das unhas deve ser feito com cuidado, pois pode sangrar. As pontinhas normalmente não têm irrigação e podem ser cortadas. O melhor é cortar poucos milímetros de cada vez. Pode-se utilizar um cortador de unha. Se ocorrer sangramento que não pára, recomenda-se aplicar anti-séptico coagulante ou cauterizar ou aplicar supercola de secagem rápida para conter a hemorragia. A pontas aparadas podem ser arredondadas com uma lixa de unha.
Aparação do Bico

O bico superior pode estar crescido e pontiagudo, sendo necessário apará-lo corretamente. Esse procedimento deve ser feito preferencialmente por um veterinário, pois pessoas inexperientes podem causar uma fratura no bico, o que é muito grave. O arredondamento das pontas pode ser feito com um rotor elétrico ou à bateria com ponta lixadora.

Higiene e Saúde

É imprescindível a higiene do viveiro e gaiola. A remoção de fezes e urina (a porção branca e líquida do excremento é a urina) deve ser feita diariamente, evitando a proliferação de bactérias e fungos no ambiente. Poleiros e ninho devem estar livres de excrementos. Os bebedouros e comedouros devem ser lavados todos os dias e desinfetados com solução de hipoclorito de sódio (água sanitária) várias vezes por semana. Os desinfetantes devem ser removidos completamente por meio de enxágüe e as vasilhas devem ser secadas.
Recomenda-se levar seu papagaio para um exame veterinário pelo menos uma vez ao ano. A qualquer sinal de doença, leve seu amigo emplumado ao veterinário, mesmo que não haja em sua cidade um veterinário especialista em aves silvestres. Exames básicos que podem ser solicitados ao veterinário são exames de sangue (hemograma), exame de fezes para helmintos e protozoários (Giardia), exame de gram das fezes (bacterioscopia) e exames de clamidiose. Esses exames não são obrigatórios. Converse com seu veterinário o que é preciso fazer. Um simples exame físico da ave permitirá ao médico veterinário saber se a ave está magra, se ela apresenta alguma alteração no corpo e se há algum sinal de doença.
A simples alteração da cor e consistência das fezes pode ser sinal de que algo não está bem com sua ave. Portanto, aprenda a reconhecer as fezes normais da sua ave. As fezes normais dos papagaios são consistentes e de forma alongada e a cor é verde. A urina é branca e a porção líquida é clara. Se notar alteração na cor e consistência das fezes, consulte um veterinário.
Zoonoses

Zoonoses são doenças potencialmente transmissíveis dos animais ao homem e vice-versa. A zoonose de maior preocupação para pessoas que mantêm psitacídeos em casa é a clamidiose, doença também conhecida por psitacose ou ornitose. É causada pelo microorganismo Chlamydiophila psittaci. Causa pneumonia no homem, sendo os sintomas mais comuns tremores, tosse, febre, dor de cabeça, indisposição, mialgia (dor no corpo), perda de apetite, náusea, dor no peito e vômito. O tratamento tanto das aves como no homem é feito com antibióticos específicos (doxiciclina), mas é necessário diagnóstico precoce. Pode ocorrer morte humana com quadro de pneumonia. Papagaios infectados e que estão com a imunidade baixa podem contaminar outras aves e mesmo o homem. Os papagaios retirados da natureza estão fracos e com a imunidade reduzida, portanto, são potencialmente transmissores da clamidiose. Outras zoonoses são bactérias causadoras de gastrenterites no homem, como a Salmonella spp, Campylobacter jejuni e Escherichia coli. Os sintomas em humanos são diarréia, dor abdominal, vômito, febre, mal estar, mialgia e dor de cabeça.
As bactérias Yersinia pseudotuberculosis e Yersinia enterocolitica podem causar linfadenite mesentérica aguda, que se assemelha em sintomas a uma apendicite aguda. Enterite (inflamação do intestino), hepatomegalia (aumento do fígado) e icterícia podem ocorrer.
A alveolite alérgica é uma doença respiratória em humanos causada pela hipersensibilidade a antígenos de aves (alérgenos), tais como penas, pó de penas, fezes e sangue. Os sintomas são indisposição, tremores, febre, dores musculares, tosse e respiração curta. A doença pode ser aguda (de 4 a 8 horas após exposição aos alérgenos), sub-aguda (exposição prolongada e causa tosse seca e dificuldade respiratória) e crônica (exposição muito prolongada aos alérgenos; pode ser irreversível e causa dispnéia, tosse e perda de peso).Outras zoonoses são raras, mas podem ocorrer: tuberculose da forma aviária (Mycobacterium avium), principalmente em pessoas com baixa imunidade (por exemplo, pessoas HIV-positivo); listeriose (Listeria monocytogenes) - podendo causar meningite e conjuntivite em pessoas imunodeficientes; e vírus da influenza (gripe).
Protozooses (doenças causadas por protozoários) que podem ocorrer são criptosporidiose (Cryptosporidium spp.) que causa diarréia persistente, má absorção intestinal, dor abdominal, febre e vômito. Pessoas com baixa imunidade são mais suscetíveis. A giardíase (Giardia spp,) é outra potencial zoonose. É relativamente comum em humanos e os sintomas incluem diarréia e má absorção intestinal.
Algumas medidas de prevenção são manter rígido controle da higiene nas instalações (viveiros, gaiolões e gaiolas); evitar o contato de excrementos das aves sem luvas de borracha; lavar e desinfetar as mãos e braços após ter contato com aves; não levar a mão à boca; levar o papagaio ao veterinário se observar qualquer sinal de doença.
Problemas Comportamentais
Arrancamento de penas e automutilação

O arrancamento de penas é um problema comum e de difícil solução. A desordem caracteriza-se pelo comportamento obsessivo da ave em quebrar, destruir ou arrancar suas próprias penas ou de outras aves, retirando a proteção natural oferecida pelas penas. O cuidado com as penas é um procedimento natural nas aves, que cuidam e limpam diariamente da plumagem. As penas são imprescindíveis à saúde, permitindo o vôo, proteção contra o frio, umidade, vento e outras variações climáticas. A muda natural é diferente do arrancamento de penas. A muda de penas é um processo fisiológico, que consiste na perda das penas velhas e desgastadas e crescimento de novas penas. Os papagaios fazem a muda gradualmente ao longo do ano e nunca de uma só vez. Não é difícil saber se uma ave está arrancando ou destruindo suas penas. Basta observá-la atentamente e examinar as áreas do corpo que estão depenadas: dorso, asas, abdômen, tórax. Nos locais onde as aves não alcança com o bico (cabeça e pescoço) não ocorre a perda de penas, a não ser que outra ave esteja arrancando. As causas do arrancamento de penas são variáveis e podem ser classificadas em causas ambientais, clínicas e psicológicas (ou comportamentais).
As causa ambientais podem ser mudanças no tempo (úmido, seco, calor, frio), pessoas ou animais novos na casa, mudanças no ambiente em que a ave vive, mudança no comportamento do seu dono (ausência na casa, pouco tempo interagindo com a ave, fatores emocionais, etc.), barulho excessivo, movimento anormal no ambiente, animais estranhos nas proximidades. Ambientes úmidos ou secos ou aves com plumagem suja que não têm a oportunidade de banho podem apresentar um zelo exagerado no cuidado das penas, podendo se tornar arrancadoras.
As causas clínicas mais comuns são parasitas de pele, parasitas internos (vermes, protozoários), infecções bacterianas ou fúngicas na pele ou nos folículos das penas, alergias, distúrbios hormonais, desnutrição, aspergilose (infecção respiratória fúngica), doenças internas (doenças hepáticas) e mudanças hormonais na época de reprodução (época reprodutiva, presença de caixa-ninho).
As causas psicológicas ou comportamentais são o estresse, ansiedade, medo, tédio, frustração sexual por não se reproduzir, solidão, falta de atenção do dono, poucas horas de sono, mudança brusca na rotina da ave e outras experiências negativas que levem a ave a se automutilar extraindo ou destruindo suas próprias penas. Aves que querem a atenção do dono podem passar a arrancar as penas como forma de chamar a atenção.
É importante notar que Inicialmente há uma causa que desencadeia o comportamento anormal, mas o hábito pode tornar-se vício, e mesmo que o fator desencadeador cesse, o vício pode permanecer indefinidamente. Por exemplo, uma ave pode começar a arrancar suas penas por causa do estresse sofrido durante uma mudança de residência. Porém, mesmo depois da ave estar acostumada com a nova casa, ela poderá persistir no arrancamento, que passou a ser então, um vício. Em aves arrancadoras crônicas, a camada germinativa das penas pode estar comprometida e mesmo que a ave seja curada do comportamento obsessivo, o crescimento de novas penas poderá nunca mais acontecer por causa da destruição dos folículos.
Lembre-se que os papagaios são aves inteligentes e precisam de atenção e atividade. Na natureza passam grande parte do dia procurando alimento, voando longas distâncias, alimentando-se na copas das aves e interagindo umas com as outras. Em cativeiro esta possibilidade de interagir com o meio ambiente e com membros do bando não existe, tornando a vida do animal um permanente tédio. Aves entediadas são fortes candidatas a tornarem-se arrancadoras de penas. Aves que não se acasalam também podem apresentar essa aberração comportamental, sendo mais evidente o problema na época reprodutiva. Descobrir a causa do problema não é uma tarefa fácil e requer muita investigação clínica e análise do histórico e comportamento da ave. Pode ser necessário eliminar possíveis causas até chegar à causa mais provável. Em muitos casos, não se chega à cura definitiva.
O tratamento depende do diagnóstico. Se a causa predisponente for parasita de pele, o tratamento é feito com um ectoparasiticida. Se o que está causando o problema é uma infecção respiratória, o tratamento é combater a infecção. Se for distúrbio hormonal, pode-se lançar mão da reposição de hormônios. Se o arrancamento for decorrente da frustração sexual, pode ser necessário providenciar um parceiro ou reduzir os hormônios sexuais. Se houver um animal doméstico novo na casa (cão ou gato), pode ser necessária a remoção desse animal. A solidão é um fator predisponente. Se os moradores da casa permanecem o dia todo fora, pode ser necessário a adoção de uma outra ave para companhia (pode ser até mesmo um psitacídeo de outra espécie) ou então, o dono deve buscar tempo para passar mais atenção com sua ave.
Diferentemente, se a ave arrancadora estiver em bando, pode ser necessário separá-la das outras, se estiver sendo ameaçada ou perseguida por uma outra ave. Assim, existem muitas causas e diversos tratamentos e manejos. Muitos são também os medicamentos prescritos: tranqüilizantes, fitoterápicos, imunoestimulantes, homeopáticos, etc. o colar elisabetano é recomendado em algumas situações, mas não resolve o problema, pois a causa não é tratada. Uma medida sempre correta é passar a fornecer ração balanceada. Para o sucesso do tratamento, é fundamental descobrir o que está causando o arrancamento. Forneça sempre um ambiente limpo e saudável que dê oportunidades de descobertas e estímulos para a ave manter-se ocupada. Enriquecimento ambiental é o termo usado para definir os procedimentos a serem adotados para tornar o ambiente repleto de oportunidades de aprendizado e atividades, tornando a ave ativa e constantemente motivada em seu meio. Uma ave triste e frustrada está a meio-passo para tornar-se uma arrancadora de penas.
Agressividade
Se sua ave tornou-se muito agressiva, é porque apresenta sinais de alteração comportamental e é preciso investigar o que está causando essa agressividade exagerada. Um papagaio irritado ou submetido a esforço físico (como falar, por exemplo) abre e fecha as pupilas constantemente, ficando com as pupilas reduzidas a um pontinho apenas. Aves irritadas e dispostas a agredir abrem a cauda, arrepiam as penas da cabeça e pescoço e levantam um dos pés para atacar. Uma reação típica de um papagaio irritado que deseja agredir é atacar com o bico, vocalizar e balançar o corpo para cima e para baixo. São muitas as causas da agressividade:
Ciúmes: os papagaios são monógamos, ou seja, formam casais permanentes. Uma ave solitária pode sentir-se acasalada a uma pessoa da casa, e sentir ciúmes dessa pessoa quando outra pessoa ou animal se aproxima da sua parceira ou parceiro humano. Recomenda-se que o papagaio, ainda jovem, se acostume com todas as pessoas da casa. Quando se pretende receber uma nova ave, um outro animal doméstico ou mesmo um novo morador na casa, os primeiros contatos devem ser feitos num local neutro da casa, ou seja, num local onde o papagaio não se sinta o dono. A pessoa favorita (o parceiro) segurará o papagaio, enquanto o novo morador é apresentado e familiarizado. Só então, o papagaio e o novo morador são levados à área favorita da casa (local onde o papagaio se sente dono). A aproximação a outro animal ou pessoa deve ser feita aos poucos.
Comportamento territorial: a defesa do território é um comportamento natural nos papagaios adultos. Seu território pode ser a gaiola ou um compartimento da casa. Se a ave se considera a dominadora do ambiente, irá defendê-lo.Ameaça: quando um papagaio sente-se ameaçado (seja a ameaça real ou imaginária), irá lutar pela sua sobrevivência, já que não lhe é possível fugir. A ave pode interpretar como ameaça movimentos bruscos, pessoas e animais estranhos, objetos estranhos, perseguição e agressão. Portanto, nunca se deve agredir uma ave como forma de intimidação. Na verdade, isso só irá piorar a situação.
Maturidade sexual: aves maduras sexualmente e em período reprodutivo podem se tornar agressivas. O papagaio pode identificar uma pessoa da casa como seu parceiro e ficar frustrado e agressivo. Se isso acontecer, deve-se procurar evitar contatos físicos que possam estimulá-lo sexualmente. Espelhos devem ser retirados da presença da ave para que ela não confunda sua imagem com a de um parceiro para acasalamento. Caixas-ninho devem ser removidas do viveiro. O ideal seria dar a oportunidade à ave de se reproduzir num viveiro.
Dor: aves com dor evitam o contato e podem agredir durante o manejo.
Técnicas corretivas:
· Mantenha a ave em sua gaiola ou poleiro num nível inferior à cabeça do dono. A gaiola pode ficar na altura do peito das pessoas. Isso evitará que a ave esteja num nível superior e sinta-se dominante sobre as pessoas.
Ignore seu papagaio quando ele tornar-se agressivo. Evite olhar, falar ou interagir com ele enquanto estiver se comportando mal.
Cubra a gaiola por uns 10 minutos para que ele saiba que seu comportamento não é desejado e por isso está sendo privado do convívio com o dono e com outras pessoas da casa.
Gritos e barulho excessivo
A vocalização é um comportamento natural nos psitacídeos e serve para se localizarem no bando. Na natureza essa vocalização é mais intensa ao amanhecer e ao entardecer. Em cativeiro não é desejável essa gritaria, pois perturba o sossego dos moradores e vizinhos. O som alto de eletrodomésticos (aspirador-de-pó, liquidificador, rádio em volume alto, cortador-de-grama, etc.) estimulam os gritos nos psitacídeos. O comportamento agressivo e territorial pode levar a ave a gritar excessivamente. A procura por atenção do dono e a ansiedade e medo pela separação do dono são também causas de gritos barulhentos.
Técnicas corretivas:
Cobrir a gaiola por alguns minutos ou isolar a ave em um recinto da casa.
Ignorar completamente a ave durante o período de gritaria (não olhar, falar ou interagir com a ave).
Eliminar o estímulo ambiental que está desencadeando a gritaria (desligar equipamentos barulhentos, por exemplo).
Fornecer brinquedos, distrações e alimentos que mantenham a ave ocupada e mentalmente ativa.
Desordens Nutricionais
Crescimento retardado

A má nutrição dos filhotes pode ser decorrente da alimentação não balanceada, insuficiência de alimento ou doenças que levem à má nutrição (parasitismo, por exemplo). Filhotes mal nutridos não ganham peso, tornam-se fracos, regurgitam, ficam com alimento parado no papo, apresentam empenação feia (penas com manchas escuras, descoloridas, engorduradas, crescimento retardado das penas, etc.), não "desmamam" na data prevista, desidratam, adoecem por infecções e outras causas e morrem nas primeiras semanas de vida. Filhotes de papagaios necessitam de ração com mais de 20% de proteína, bons níveis de gordura, aminoácidos, vitaminas e minerais. Para o sucesso das criações, recomenda-se rações próprias para filhotes. A criação de filhotes de psitacídeos requer a supervisão de profissional experiente, pois não é uma tarefa fácil criá-los com sucesso.
Doença óssea metabólica
A doença óssea metabólica é resultante principalmente da falta de cálcio e vitamina D ou nível inadequado de cálcio e fósforo na alimentação. Os níveis de cálcio e fósforo na alimentação devem estar equilibrados, sendo adequada a taxa de 1:1 (uma parte de cálcio para uma de fósforo) até 2:1. Aves com doença óssea metabólica podem apresentar raquitismo (filhotes), ossos frágeis e quebradiços que podem dobrar, pernas abertas, fraturas, má formação do bico e dedos tortos. Deformidades ósseas graves podem ser irreversíveis. A prevenção consiste no fornecimento de dieta com níveis adequados desses nutrientes. As rações balanceadas fornecem quantidade adequada de nutrientes e em níveis equilibrados. Para adicionar cálcio à alimentação, forneça osso de siba, encontrado nas pet shops. Casca de ovo cozida e queijo são também fontes de cálcio. As aves precisam de banhos de sol todos os dias para que produzam vitamina D.

Descoloração das penas
A deficiência de nutrientes nas dietas, tais como aminoácidos essenciais (lisina), vitaminas (riboflavina, colina) e outros nutrientes podem levar a alteração na coloração normal das penas.
Síndrome de desnutrição crônica
Ocorre em aves má nutridas (ver alimentação em cativeiro). Percebe-se nas aves uma má aparência da plumagem com penas foscas, com defeitos, quebradas, descoloridas ou com marcas escuras. Outros sinais de desnutrição são magreza, suscetibilidade a infecções, diarréia e doenças respiratórias.
Hipovitaminose A
A deficiência de vitamina-A é comum em aves mantidas com alimentação não balanceada, principalmente aves com dietas a base de sementes e frutas. Os sinais clínicos são sinusite, infecções respiratórias, placas nodulares brancas na cavidade oral (diferenciar de candidíase). O tratamento consiste na aplicação de vitamina A e o uso de ração balanceada para psitacídeos.
Obesidade
A obesidade nas aves caracteriza-se por excessiva gordura abdominal (abdômen distendido) e subcutânea. Dietas ricas em gordura e carboidratos causam a obesidade nas aves. Alimentação à base de girassol (rico em gordura) predispõe o papagaio à obesidade. A prevenção consiste em fornecer ração de baixa caloria, consumo controlado de alimentos e exercícios físicos.
Fígado gorduroso (lipidose hepática)
Resulta da má nutrição e agentes tóxicos no fígado. Dietas com níveis inadequados de proteína, metionina e colina podem levar à doença do fígado gorduroso. Ocorre perda de apetite, regurgitação e depressão.
Aterosclerose
O depósito de colesterol na parede arterial dos vasos do coração é chamada de aterosclerose. Dietas ricas em gordura e obesidade são fatores predisponentes. É um problema relativamente comum em papagaios de estimação.
Deficiência de vitamina K
Sangramento excessivo ou hematomas após traumas leves podem ser resultantes da falta de vitamina K no organismo.
Imunodeficiência
A falta de certos nutrientes pode afetar o sistema imunológico negativamente. Certos nutrientes podem agir como antioxidantes e estimulantes da imunidade nas aves com imunidade reduzida. A vitamina A, beta-carotenos, vitamina-E, e vitamina C são nutrientes que podem ajudar na defesa imunológica do organismo.
Alimentos tóxicos
Alguns alimentos são indesejáveis para os psitacídeos por seus possíveis efeitos tóxicos. Existem relatos de que o abacate possa causar congestão pulmonar e edema subcutâneo com morte da ave. Chocolate pode causar depressão, vômito e diarréia em psitacídeos. A ingestão de sal não é recomendada, podendo ter efeitos tóxicos. Batata frita, chips, verduras salgadas em lata são alimentos ricos em sal e devem ser evitados. Alimentos contaminados com pesticidas não devem ser consumidos por humanos nem por aves de estimação. O café é estimulante e não traz nenhum benefício às aves de estimação. Portanto, não é recomendado às aves. O leite tem o açúcar lactose, que não é digerido no sistema digestivo das aves, podendo causar diarréia. O queijo e yogurte podem ser dados ocasionalmente. Sementes de girassol, amendoim e milho podem estar contaminados com aflatoxinas (toxinas de fungos), que podem causar intoxicação crônica ou a morte imediata. Muitas plantas de jardins contêm princípios tóxicos para os animais e devem ser evitadas.

Problemas Veterinários
Traumas e fraturas

As lesões traumáticas são comuns em aves cativas. Acidentes podem acontecer no ambiente doméstico: pisoteio, queda, atropelamento, agressão por cães e gatos, agressão humana, briga entre as próprias aves, automutilação, eletrocussão, perfuração por arma de fogo, etc. Os traumas podem causar lesões cutâneas, musculares, esqueléticas e de órgãos internos. O prognóstico depende da gravidade da lesão, pronto-atendimento, perda sangüínea e resistência orgânica da ave. Os traumatismos cranianos são sempre graves e requerem assistência veterinária imediata. As fraturas são mais graves quando expostas (pontas dos ossos expostos), se contaminadas, quando houver lesão nos vasos sangüíneos, nervos, articulações e órgãos internos. Conforme a gravidade da fratura e local em que ocorreu no osso, pode ser possível a ossificação somente com uma imobilização externa (tala, bandagem, muleta). Se a fratura for grave e deseja-se uma ossificação perfeita da fratura, pode ser necessária cirurgia com a aplicação de pinos intramedulares ou outras técnicas cirúrgicas ortopédicas. As fraturas de face e bico são graves e podem comprometer a capacidade da ave de se alimentar satisfatoriamente. Fraturas no bico são normalmente de difícil resolução e requerem técnicas especializadas de correção. Em muitos casos, não se consegue a correção completa da anatomia da face. Aves com fraturas e deformidades no bico podem se adaptar à nova condição e passar a alimentar-se satisfatoriamente com o defeito. Para essas aves, pode ser necessário fornecer alimentos amolecidos ou em pedaços que favoreçam a apreensão e ingestão. Luxações podem acontecer após traumas severos.
Ferimentos devem ser tratados corretamente com anti-sépticos tópicos e, se necessário, sutura cirúrgica. Deve-se evitar usar pomadas oleosas, que acabam engordurando as penas, prejudicando o controle da temperatura corpórea e a impermeabilidade das penas. Como a temperatura corpórea nas aves é naturalmente mais elevada, isso acaba funcionando como uma defesa orgânica contra as infecções cutâneas.
Anéis, arames, fios de nylon - qualquer objeto que cause a constrição das patas e dedos - leva à isquemia (falta de circulação sangüínea no membro) e necrose (apodrecimento dos tecidos). Pisos ásperos, poleiros ásperos, poleiros com pontas, espinhos e qualquer superfície cortante ou perfurante favorecem as lesões nas patas e conseqüente evolução para infecção local. A claudicação (manqueira) nem sempre é decorrente de acidentes traumáticos. Pode ocorrer claudicação em casos de miopatia de captura (decorrente de captura incorreta), miopatia nutricional (deficiência de vitamina-E e selênio na alimentação), infecções ósseas ou articulares, raquitismo, gota úrica e neoplasia.
Verminose
As verminoses são comuns e podem causar a morte das aves. Os nematóides (vermes redondos) mais comuns e mais patogênicos para os psitacídeos são o Ascaris e a Capillaria, que parasitam o sistema digestivo (intestino principalmente). Aves com verminose podem não apresentar sinais clínicos (sintomas) se a infestação for baixa. Outras aves apresentam emagrecimento, má absorção do alimento, crescimento retardado nos filhotes, diarréia, fezes escuras e sanguinolentas e morte. Grande quantidade de Ascaris pode causar obstrução do intestino e morte. Tênias de aves também podem ser diagnosticadas nas aves doentes e fracas. O diagnóstico das verminoses é feito pelo exame microscópico de fezes, que deve ser solicitado a um veterinário. A desverminação deve ser feita anualmente ou conforme orientação veterinária. Os vermífugos utilizados são os mesmos usados em humanos e animais domésticos, o que muda é a dose e freqüência da aplicação do vermífugo. A sobredose de anti-helmínticos pode causar intoxicação.
Doenças respiratórias
As infecções respiratórias ocorrem principalmente em papagaios desnutridos e mantidos em regiões frias. A deficiência de vitamina-A e outros nutrientes deixa a mucosa do sistema respiratório mais sensível a infecções por bactérias, fungos, vírus ou protozoários. A fumaça de cigarro e outras fumaças tóxicas predispõem as aves às doenças respiratórias. As infecções podem ser do trato respiratório superior (rinite, sinusite, traqueíte) ou do trato respiratório inferior (bronquite, pneumonia, aerosaculite) ou disseminada (tanto trato respiratório superior como inferior) .
Se a infecção estiver no trato aéreo inferior, consideramos mais grave e é necessário tratamento veterinário imediato. O prognóstico, tempo de tratamento e medicamentos a serem utilizados dependem da gravidade da infecção e do agente envolvido. Infecções por fungos, como a aspergilose, são graves e de difícil cura se estiverem avançadas. A clamidiose (ver zoonoses) é uma doença relativamente comum em psitacídeos e pode causar sinais respiratórios nas aves. Os sintomas das doenças respiratórias incluem perda de apetite, apatia, penas arrepiadas, sonolência, corrimento nasal, espirros, seios nasais (face) inchados, olhos úmidos, mudança da voz, respiração ruidosa, dispnéia (dificuldade em respirar), respiração balançando a cauda, respiração com a boca aberta e perda de penas ao redor dos olhos, face e testa. O tratamento depende do diagnóstico. È incorreto achar que o simples ato de fornecer antibióticos vai resolver o problema. Se a infecção não for bacteriana, o antibiótico não tem utilidade alguma. Além disso, o tipo de antibiótico, a dose e a forma de aplicação deve ser correta, estabelecida por um veterinário. Dar antibióticos na água é perda de tempo, pois normalmente os psitacídeos doentes não bebem água com medicamentos, pois o gosto não é agradável ou eles consomem a água com medicamento em quantidade insuficiente para curar. Aves mantidas corretamente e bem nutridas são mais resistentes às infecções respiratórias.
Aspergilose
A aspergilose é a doença causada pelo fungo Aspergillus sp (principalmente o Aspergillus fumigatus). Este fungo pode aparecer como saprótitas no organismo, ou seja, não fazendo mal algum ao hospedeiro. Mas podem vir a causar doença respiratória fulminante nas aves, principalmente em aves debilitadas e com a imunidade reduzida. A doença pode ser aguda ou crônica. A forma crônica é a mais comum nos papagaios cativos. O fungo desenvolve-se nos pulmões, sacos aéreos e outros órgãos respiratórios, podendo levar à formação de granulomas (massas inflamatórias e necróticas), que podem ser vistos no raio-x. Os sintomas variam, mas podem ser emagrecimento, dispnéia (dificuldade respiratória), taquipnéia (respiração acelerada), prostração, perda de apetite, mudança da voz, diarréia, depressão e sinais nervosos. O diagnóstico é feito por exames clínico e laboratorial.
Domesticação

É fundamental no treinamento ter paciência, ser persistente, conhecer o temperamento do papagaio e nunca usar técnicas violentas. As etapas do treinamento acontecem gradativamente, sendo necessário vários dias ou semanas para se atingir a meta.
Para que seu papagaio amanse e seja possível tê-lo em suas mãos ou ombros, será necessário treinamento correto e muita paciência. Conhecer a ave que se tem é muito importante. Quando se cria um papagaio desde filhote, ele crescerá acostumado às pessoas. Porém se você ganhou uma ave adulta, precisará ganhar sua confiança e domesticá-la. A primeira coisa a fazer é observar seu comportamento atentamente durante dias. Filhotes se adaptam mais facilmente às pessoas. O papagaio vive muitos anos, tanto quanto um homem, e pode ter sofrido maus tratos durante sua vida, tornando-se agressivo. O fato de estar amedrontado também pode torná-lo defensivo.
A primeira dica é ser paciente. Não se deve querer ter o papagaio na mão já no primeiro dia ou na primeira semana. É preciso que ele primeiro se acostume ao novo lar e com as pessoas. Depois será necessário ganhar sua confiança e para isso é fundamental que você tenha tempo disponível para a ave, todos os dias. Lembre-se que são aves inteligentes. Inicialmente aproxime-se apenas da gaiola ou do poleiro-T e converse com ela, dizendo palavras de forma carinhosa. A entonação da voz e a forma gentil que você o trata será percebida. Se você sentir que está próximo demais e ela está nervosa, recue alguns passos. Aos poucos, você estará ao lado do seu papagaio sem que isso o aborreça. Ao aproximar-se, forneça alimentos que ele goste. Quando a ave estiver confiante e adaptada a você, ofereça alimentos gostosos e faça com que ela venha buscar na sua mão. Após ganhar a confiança da ave - isso pode levar semanas ou meses - você passará para as etapa seguinte que é manter contato físico.Inicialmente faça com que a ave suba num poleiro (cabo de vassoura). Não faça gestos bruscos que a faça sentir ameaçada. Quando você aproximar o poleiro ao peito da ave, ela tenderá a agarrá-lo, subindo no poleiro. Daí é só repetir o procedimento algumas vezes. Passeie com ele pela casa para que se acostume e mantenha o equilíbrio. Ótimo, agora o papagaio fica num poleiro na sua mão.
A etapa seguinte é aproximar sua mão lentamente (porém, sem demonstrar medo) para acariciá-lo na cabeça. Aproxime a mão lateralmente de forma que o papagaio veja o que você está fazendo. Repita esse procedimento até você se sentir confortável e conseguir acariciá-lo. Quando o papagaio permitir o contato e estiver confiante em você, não será difícil colocá-lo no seu braço. Nesse estágio, deve-se ter cuidado para o risco de bicadas, que são doloridas. Já vi casos de pessoas que arremessaram seus papagaios contra a parede ou contra o chão ao serem bicadas. Ao tentar colocar o papagaio na mão, deve-se ter em mente, que se ele bicar, não devemos reagir violentamente, pois isso prejudicaria todo o treinamento, criando ainda mais medo na ave ou pior ainda, seu amigo empenado acabaria numa clínica veterinária.
Finalmente, você conseguiu que seu papagaio subisse na sua mão e ficasse feliz com você. Parabéns! Você teve sucesso na domesticação. O papagaio pode ser colocado no ombro, se você preferir, mas fique atento, pois pode acontecer dele se irritar com algo ou com alguém e dar uma bicada dolorida na orelha do dono. É importante conhecer os sinais de agressividade em um papagaio (ver agressividade).Reprodução

O papagaio atinge a maturidade sexual com quatro a seis anos. O período de incubação varia de 24 a 28 dias. Fazem postura de três a quatro ovos. Para reprodução é melhor mantê-los em casais. É preciso fazer a sexagem das aves reprodutoras (ver identificação do sexo e idade). Na natureza fazem ninho em ocos de árvores e outras aberturas. Em cativeiro utiliza-se ninho tipo caixa de madeira. Os filhotes nascem nus e dependem completamente dos cuidados dos pais. A alimentação dos filhotes é feita artificialmente com papinha própria para filhotes
Como adquirir um papagaio

A aquisição de um animal silvestre é possível desde que venha de criadouros registrados no IBAMA. Não adquira papagaios oriundos do tráfico, pois além de ser um ato ilegal, você estará contribuindo para a redução das populações de aves na natureza, levando-as à extinção. Estima-se que de cada 10 aves retiradas da natureza, apenas uma sobreviva. Papagaios oriundos de criadouros registrados podem ser mais caros, mas são aves legais, mansas e oferecem menos risco de transmissão de doenças ao homem (zoonoses). Para obter mais informações sobre a gestão da fauna silvestre procure o Núcleo de Fauna na Gerência Executiva do IBAMA em seu estado ou entre em contato com a Coordenação Geral de Fauna-CGFAU, em Brasília. Abaixo a lista dos telefones das principais unidades do Ibama nos estados:
Acre: (0xx68) 226-3212Alagoas: (0xx82) 241-1600Amapá: (0xx96) 214-1100Amazonas: (0xx92) 613-3277Bahia: (0xx71) 345-7322Ceará: (0xx85) 272-1600Brasília: (0xx61) 316-1172Espírito Santo: (0xx27)324-1811Goiás: (0xx62) 224-2488Maranhão: (0xx98) 231-3010Mato Grosso: (0xx65) 644-1452Mato Grosso do Sul: (0xx67) 728-1802Minas Gerais: (0xx31) 299-0740Pará: (0xx91)224-5899
Paraíba: (0xx83) 245-2551Paraná: (0xx41) 322-5125Pernambuco: (0xx81)441-5075Piauí: (0xx86)233-3369Rio de Janeiro: (0xx21)506-1802Rio Grande do Norte: (0xx84) 201-4335Rio Grande do Sul: (0xx51)226-0002Rondônia: (0xx69) 223-3597Roraima: (0xx95) 623-9513Santa Catarina: (0xx48) 234-0021Sergipe: (0xx79) 211-1573Tocantins: (0xx63) 215-3879Coordenação Geral de Fauna-Brasília/DF (0xx61) 3161165, 3151170, 316-1215, 3161171 ou 3161297
O IBAMA conta com a sua colaboração!Ajude o Brasil a dizer não ao tráfico de animais silvestres. Se decidir ter um animal silvestre como animal de estimação, não compre animais de criadouros ilegais e não adquira animais provenientes do tráfico e do comércio clandestino.
Portaria nº 117 de 15 de Outubro de 1997 do IBAMA, sobreCompra e Venda de Animais Silvestres.
Art. 13 - A pessoa física ou jurídica que intencione comprar animais da fauna silvestre brasileira de criadouro comercial ou comerciante registrado no IBAMA, com objetivo de mantê-los como animais de estimação, não necessitará de registro junto ao IBAMA.§ 1º - O vendedor deverá manter um cadastro, constando o nome do comprador, CPF, endereço de residência, endereço onde os animais serão alojados e telefone/fax de contato.§ 2º - O criadouro, comerciante ou importador deverá fornecer aos compradores de animais de estimação um texto com orientações básicas sobre a biologia da espécie (alimentação, fornecimento de água, abrigo, exercício, repouso, possíveis doenças, aspectos sanitários das instalações, cuidados de trato e manejo) e, sobretudo, a recomendação da não soltura ou devolução dos animais à natureza, sem o prévio consentimento da área técnica do IBAMA.§ 3º - A manutenção dos animais da fauna silvestre brasileira em cativeiro somente terá reconhecimento legal se o seu proprietário possuir Nota Fiscal de compra.§ 4º - O particular que adquirir animais poderá cedê-los ou revendê-los a outrem mediante Termo de Transferência, conforme modelo constante no Anexo II da presente Portaria, acompanhado da via original da Nota Fiscal.

Legislação e Ética

Os animais silvestres são protegidos pela legislação brasileira, ficando o infrator sujeito à lei de crimes ambientais (Lei 9605 de 12 de fevereiro de 1998). A posse de papagaios da fauna brasileira e de animais selvagens exóticos é possível desde que oriunda de criadouros autorizados pelo IBAMA e com a devida documentação de origem. Os proprietários de animais silvestres de origem não comprovada estão sujeitos às penalidades da Lei.
A ética para a conservação da fauna e flora deve ser uma preocupação de todos, principalmente daqueles que desejam adquirir ou manter uma ave silvestre em casa. Além do aspecto legal, o proprietário de uma ave silvestre tem a responsabilidade de zelar pelo bem-estar e saúde do animal por muitas décadas. A reprodução é uma necessidade fisiológica dos seres vivos e também precisa ser considerada ao adquirir uma ave silvestre. Na natureza, o papagaio vive em bandos e em casais na época reprodutiva. Manter aves solitárias em cativeiro é contrário ao instinto e necessidade da espécie. Uma ave solitária (ave de estimação) irá reconhecer seu dono e as pessoas da casa com membros do seu bando.
Nunca compre aves silvestres originárias do tráfico ou de origem não documentada, pois isso incentivará a retirada de filhotes e mesmo aves adultas da natureza. A maioria das aves capturadas acaba morrendo antes de chegar às residências.
Lei 9605/98 - Crimes Ambientais - ComentáriosOs animaisMatar, perseguir, caçar, apanhar e utilizar "animais silvestres, nativos ou em rota migratória" (Art.29). Pena: prisão, de 6 a 12 meses, e multa.
"Animais silvestres, nativos ou em rota migratória" são animais normalmente encontrados em ambientes naturais, típicos da fauna brasileira ou os que utilizam regiões do território brasileiro para se locomoverem entre diferentes áreas, fugindo do inverno rigoroso ou para fins de reprodução da espécie. Vender, adquirir, aprisionar ou transportar animais silvestres, nativos ou em rota migratória sem permissão da autoridade competente. Art. (29 §1º, III)Pena: prisão, de 6 meses a 1 ano, e multa.
Praticar maus tratos e ferir animais. (Art. 32) Pena: prisão, de três meses a 1 ano, e multa.
Matar animais da fauna silvestre continua sendo crime, entretanto a Lei não pune quem matar animais para saciar sua fome ou de sua família.Pescar em período de defeso ou em lugares proibidos por órgãos competentes. (Art. 34)Pena: prisão de 1 a 3 anos, ou multa, ou ambas.
LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998.CAPíTULO V DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTESEÇÃO I - Dos Crimes contra a Fauna
Art 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas: I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com a obtida; II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural; III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizadas ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.
§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.
§ 3º São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras.
§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado: I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no local da infração; II - em período proibido à caça; III - durante a noite; IV - com abuso de licença; V - em unidade de conservação; VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em massa.
§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça profissional; § 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca. Art 30. Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da autoridade ambiental competente: Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Art 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida por autoridade competente: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Art 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.
DECRETO No 3.179, DE 21 DE SETEMBRO DE 1999.Das Sanções Aplicáveis às Infrações Contra a Fauna
Art. 11. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes dafauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devidapermissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou emdesacordo com a obtida:
Multa de R$ 500,00 (quinhentos reais), por unidade com acréscimopor exemplar excedente de:
I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por unidade de espécieconstante da lista oficial de fauna brasileira ameaçada deextinção e do Anexo I do Comércio Internacional das Espécies daFlora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção - CITES; e
II - R$ 3.000,00 (três mil reais), por unidade de espécieconstante da lista oficial de fauna brasileira ameaçada deextinção e do Anexo II da CITES.
§ 1o Incorre nas mesmas multas:
I - quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorizaçãoou em desacordo com a obtida;
II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo oucriadouro natural; ou
III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, temem cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ouespécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bemcomo produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadourosnão autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorizaçãoda autoridade competente.
§ 2o No caso de guarda doméstica de espécime silvestre nãoconsiderada ameaçada de extinção, pode a autoridade competente, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a multa, nostermos do § 2o do art. 29 da Lei No. 9.605, de 1998.
§ 3o No caso de guarda de espécime silvestre, deve a autoridadecompetente deixar de aplicar as sanções previstas neste Decreto, quando o agente espontaneamente entregar os animais ao órgãoambiental competente.
§ 4o São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentesàs espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas outerrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vidaocorrendo dentro dos limites do território brasileiro ou em águasjurisdicionais brasileiras.

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